quarta-feira, 2 de outubro de 2013

PES 2014: Review (PC)

Foi lançado no dia 24 de Setembro o tão esperado game Pro Evolution Soccer 2014, cercado de expectativa devido a "revolucionária" Fox Engine, usada na conhecida série Metal Gear Solid, que permitiria movimentos fidedignos, faces mais realistas e permitiria que a série avançasse ainda mais no campo da simulação. A Konami disponibilizou várias demos para a versão console, e a repercussão foi muito negativa, pois a maioria dos fãs não gostaram da velocidade do jogo (muito lenta) e nem da dificuldade na realização de comandos antes tão básicos na série, como lançar a bola e chutar a gol. Tais reclamações que, inclusive, continuam mesmo após o lançamento. O resultado final certamente não era o que os fãs esperavam, e frustrou a japonesa Konami, que se imaginava lançando o Santo Graal do futebol virtual. Porém, o game ainda apresenta novidades muito interessantes que ainda a colocam como favorita no páreo de melhor simulador de futebol.


A Fox Engine foi muito bem adaptada para o futebol virtual, e permitiu uma física muito mais convincente do que a vista em Pro Evolution Soccer 2013. Agora altura, peso e força são aspectos importantíssimos nas colisões, dando vantagem para os jogadores mais troncudos, que certamente desarmarão os atacantes (caso sejam zagueiros) ou serão dificilmente desarmados (caso sejam atacantes). Foi um aspecto muito bem recebido, já que FIFA já apresentava uma física mais realista nesse aspecto desde edições anteriores. Porém, houve um certo exagero nessa física de jogo, o que torna praticamente impossível um jogador como o Neymar driblar um zagueiro troncudo e violento raçudo como Pepe (zagueiro do Real Madrid). Por outro lado, acaba com os "atacantes invencíveis" das versões anteriores, que dificilmente eram desarmados. Mesmo jogadores com alto overall terão dificuldade em passar pela zaga de qualquer time que seja. 


Além disso, a nova engine de Pro Evolution Soccer 2014 permite um futebol muito mais próximo do real, permitindo jogadas e movimentos muito semelhantes ao dos craques da vida real. Não se assuste quando disparar com Cristiano Ronaldo e perceber que a seu jeito de correr (muito estranho por sinal) é idêntico ao real. Trata-se do Player ID, que já esteve presente no Pro Evolution Soccer 2013 e que busca reproduzir movimentação, características e comemorações idênticas à realidade. Já são mais de 100 jogadores reproduzidos fielmente no game.










O sistema de passes e a jogabilidade em geral foram remodelados por completo, o que a princípio causou estranhamento geral: novo modo de bater escanteio e falta, passar e lançar a bola, cobrar tiro de meta, etc. Tudo, claro, focado principalmente em aumentar o realismo e a interatividade do jogo. Infelizmente, foi algo não muito bem aceito pelos fãs, que repudiaram as mudanças. Por sorte, através das opções do jogo é possível retroceder aos sistemas antigos.
A Konami desenvolveu um sistema inédito nos simuladores de futebol, chamado Heart. Agora, as ações do jogador em campo influenciarão diretamente em seu desempenho no jogo. Ou seja, se o jogador faz um gol, ele fica feliz, e ganha mais precisão nos chutes e dribles. Caso ele erre passes, chutes ou tome um gol (supondo que seja um goleiro), ficará com um desempenho ruim na partida, com péssima precisão e errando muitos passes. Se por um lado é muito interessante, pode acabar atrapalhando bastante nas partidas, principalmente contra a máquina, pois o jogador perde o desempenho à medida que comete erros.












A tradicional Master Liga foi totalmente reformulada, oferecendo aos jogadores um verdadeiro Manager de futebol. O sistema de contratações agora costuma dificultar a transferência de jogadores de grandes clubes para clubes de pequena reputação, por mais que haja o dinheiro necessário para a compra. Agora o jogador poderá mudar de clube a cada ano, podendo também optar por uma renovação de contrato. Toda essa reformulação serviu para mostrar que a Konami realmente está de fato buscando deixar de lado o futebol arcade e finalmente quer criar um simulador de futebol.



Os gráficos do jogo foram alvo de muitas reclamações, pois houveram muitos problemas com serrilhados no estádio e principalmente na face dos jogadores (vista de longe, no formato widescreen). Coisas que dificilmente ocorriam na edição anterior. Porém, em muitos aspectos os gráficos melhoraram e muito: é possível perceber, notavelmente, que a roupa do jogador se mexe enquanto o jogador se movimenta, algo que era bem mais discreto nas edições anteriores. Além disso, os uniformes voltaram a apresentar sujeira, algo que pouco ocorria em edições passadas e que foi mais visto nas versões do game para PlayStation 2.
Houveram também certos problemas com licenciamentos, devido a ganância da EA Sports (produtora de FIFA Soccer, franquia concorrente) que assinou contratos de exclusividade com várias ligas e empresas, impedindo que os estádios espanhóis marcassem presença no jogo. Como foi um contrato assinado bem próximo à data de lançamento, a Konami não teve tempo de fazer os famosos estádios fictícios para substituí-los. Além disso, várias ligas também não marcaram presença devido aos mesmos contratos de exclusividade (caso da Bundesliga, por exemplo). Porém, a Konami já "deu o troco" na EA Sports, conseguindo reforçar os seus contratos de exclusividade com a Liga dos Campeões da UEFA, a Copa Bridgestone Libertadores e o Campeonato Brasileiro (que não marcará presença na edição de 2015 do game FIFA).









Para completar a lista de problemas do game, a transição de engine feita "em cima da hora" não permitiu que fosse desenvolvida as condições climáticas de chuva e neve. Além disso, os donos de placas gráficas integradas como a Intel HD Graphics continuarão sofrendo para jogar o PES, pois o settings.exe do game apenas reconhece a memória dedicada, e não a compartilhada, impossibilitando optar pelos gráficos "Médio" e "Alto". Felizmente, já existe um software chamado File Loader, do mesmo criador do Kitserver (Jenkey1002), que permitirá "forçar" gráficos melhores. 
Fora os problemas, Pro Evolution Soccer 2014 continua sendo um excelente jogo de futebol, e sem dúvidas uma concorrência e tanto para a série FIFA. Inovou bastante em vários aspectos, e tais inovações foram com certeza suficientes para encobrir as "mancadas" da desenvolvedora. Recomendo a compra, pois são várias horas de diversão garantidas.
Para que esses "empecilhos diversos" não mais se repitam em edições futuras, a Konami já está trabalhando no desenvolvimento de Pro Evolution Soccer 2015, e afirma de antemão que trará a Série B do campeonato brasileiro e que vários problemas de jogabilidade e física (e de condições climáticas) serão resolvidos, para oferecer aos jogadores finalmente toda o potencial da Fox Engine.

Veredicto Final: 8,7/10
A Konami fechou com chave de ouro a série na geração atual de consoles (ano que vem já estaremos na próxima geração, com a chegada do PlayStation 4 e do Xbox One), trazendo a poderosa Fox Engine, com todo o seu potencial gráfico e físico; mudando o Menu Principal do game, deixando-o mais limpo e mais compreensível; renovando completamente a Master Liga, um dos modos favoritos de muitos jogadores; inovando com o sistema Heart, que insere no game o fator emocional; buscando licenças de várias ligas, como as inéditas argentina e chilena. 
Porém, a inovação brusca assustou certos jogadores, principalmente pela mudança de foco do Pro Evolution Soccer, que finalmente deixa de ser um jogo arcade. O Modo Online também decepcionou pela falta de mudanças, o que ajudou e muito para um decréscimo na nota. Apesar de todos os defeitos, continua sendo um adversário de peso nessa corrida pelo páreo de melhor simulador de futebol do ano. 

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