sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sniper Elite V2: Excelente - e injustiçado - game.


No dia 3 de Maio de 2012 a desenvolvedora Rebellion Games lançou - timidamente - o segundo título da impopular franquia Sniper Elite (criada em 2005 para PlayStation 2, Xbox, Wii e PC). A Rebellion já deixava sinais de que produzia um excelente game através dos trailers veiculados na internet, mostrando a balística realista (simulando a taxa de penetração de cada arma de forma fiel, a ação do vento e da gravidade - que atrapalha e muito o atirador de primeira viagem -, reprodução fantástica da chamada Double Kill, mostrando a bala perder a velocidade e apresentar movimentação oscilatória até atingir o segundo inimigo) , a Alemanha destruída pela guerra recriada de forma fidedigna e a inédita X-Ray Cam, que mostra a trajetória da bala após penetrar no corpo do inimigo, mostrando desde a uma "simples" perfuração do pulmão até uma "explosão", literalmente falando, de testículos inimigos. Uma novidade até então jamais abordada por outro game, e que foi muito bem recebida pelos jogadores na primeira demonstração open-to-all.


Não apenas apostando na física convincente, desenvolveram um modo de combate que faz lembrar muito jogos como Metal Gear Solid ou até mesmo a série Splinter Cell, trazendo todo o estilo de infiltração silenciosa em campo inimigo, oferecendo a possibilidade da Stealth Kill, conhecida tradicionalmente como matar o inimigo silenciosamente fazendo uso de uma faca, ou de uma pistola com silenciador. Todos os elementos básicos de um game onde manter-se despercebido é vital. Porém, não limita o jogador a agir sempre dessa maneira, permitindo-o fazer o uso de elementos nada silenciosos como um Rifle Sniper ou até mesmo a lendária Thompson M1A1, uma submetralhadora americana que foi não só ícone da Segunda Guerra, mas também da Máfia americana compreendida do seu início ao fim (durante Lei Seca, no período compreendido de 1920-1933, e também pós-Lei Seca, durante a Segunda Guerra Mundial com o comércio ilegal de tíquetes de compra de combustível, racionados durante o período devido a alta demanda provocada pela guerra em si). Assim, o jogo oferece ao jogador uma maior flexibilidade, permitindo-o jogar da maneira que preferir, agindo silenciosamente ou no conhecido estilo Rambo.


A maior graça, porém, reside no uso das Snipers, que inclusive batizam o jogo. A Rebellion caprichou no desenvolvimento da física do jogo, trazendo a interação do vento, da gravidade, de impactos contra ossos e órgãos e até mesmo os batimentos cardíacos do personagem, que aumentam ou diminuem de acordo com o nível de tensão da batalha (os batimentos são inferiores a 70 por minuto enquanto o jogador continua "invisível" para os inimigos). Batimentos superiores a 70 tendem a afetar a precisão do jogador. Provavelmente esse conjunto de inovações foram o carro-chefe do game, que é o predileto de muitos aficionados por Snipers e Segunda Guerra Mundial como um todo.


Infelizmente, a Rebellion não é uma desenvolvedora "rica", o que implica em uma enorme dificuldade de fazer a divulgação do jogo, o que sem dúvidas evitou que o jogo fizesse alarde no gênero. Essa mesma "dificuldade de marketing" tornou o primeiro jogo da série (Sniper Elite) um mero desconhecido entre tantos outros lançamentos para os consoles no ano de 2005. Felizmente, no ano em que a Rebellion lançou o Sniper Elite V2 já havia a loja virtual Steam, que sem dúvidas foi uma alavanca para difundir o jogo no mundo inteiro, criando legiões de fãs aficionados inclusive no Brasil. Mesmo assim, esses grupos de aficionados ainda não são suficientes para fazê-lo competir no patamar dos games de alta qualidade (e Sniper Elite V2 é - sem dúvidas - de altíssima qualidade), pois para subir nesse palanque é necessário muito dinheiro e repercussão mundial.
Por mais que não seja um jogo popular, é um game que não deve faltar na prateleira de nenhum gamer, principalmente devido a simulação de sniper fidedigna e de todo o charme que a Segunda Guerra Mundial proporciona. Recentemente esteve em promoção na Steam por apenas R$ 12,49, abrindo as portas para novos fãs (como eu). Para a alegria de muitos, o jogo em seu preço fixo não é muito caro, custando apenas R$ 49,99 já contando com várias DLCs gratuitas (mapas multiplayer). Mesmo sendo um jogo relativamente curto (11 missões apenas), é de compra recomendadíssima. Os jogadores vão querer "zerar" o jogo várias vezes para obter todas as conquistas e subir no ranking mundial de pontos (você ganha pontos ao matar inimigos, e eles aumentam consideravelmente quando o tiro acerta um ponto vital). Recomendo a compra, por mais que já seja considerado um "jogo antigo", afinal, já irá fazer 2 anos ano que vem, e em termos de games esse período já é muito tempo.
Para quem tem preocupações com o desempenho, ele rodou no Médio a 20.29 FPS (completamente jogável, por ser um jogo onde você apenas anda e atira pelo cenário, sem necessidade de carregamento contínuo de texturas e afins) no meu notebook com as seguintes configurações:
4 GB RAM
Intel i5 3210M 2,5 GHz
500 GB HD
Intel HD Graphics 4000 (32 MB dedicados 1,3 GB compartilhados).

O Sniper Elite 3 já foi inclusive anunciado, e está previsto para o ano de 2014. Trará uma série de operações no continente africano, e se passará na Segunda Guerra Mundial. Promete gráficos de última geração, e já será um dos primeiros títulos do PlayStation 4 e do Xbox One. Já estão investindo em marketing através de vídeos e de mega-descontos nos lançamentos anteriores para promover a série e torná-la conhecida mundialmente.








quarta-feira, 2 de outubro de 2013

PES 2014: Review (PC)

Foi lançado no dia 24 de Setembro o tão esperado game Pro Evolution Soccer 2014, cercado de expectativa devido a "revolucionária" Fox Engine, usada na conhecida série Metal Gear Solid, que permitiria movimentos fidedignos, faces mais realistas e permitiria que a série avançasse ainda mais no campo da simulação. A Konami disponibilizou várias demos para a versão console, e a repercussão foi muito negativa, pois a maioria dos fãs não gostaram da velocidade do jogo (muito lenta) e nem da dificuldade na realização de comandos antes tão básicos na série, como lançar a bola e chutar a gol. Tais reclamações que, inclusive, continuam mesmo após o lançamento. O resultado final certamente não era o que os fãs esperavam, e frustrou a japonesa Konami, que se imaginava lançando o Santo Graal do futebol virtual. Porém, o game ainda apresenta novidades muito interessantes que ainda a colocam como favorita no páreo de melhor simulador de futebol.


A Fox Engine foi muito bem adaptada para o futebol virtual, e permitiu uma física muito mais convincente do que a vista em Pro Evolution Soccer 2013. Agora altura, peso e força são aspectos importantíssimos nas colisões, dando vantagem para os jogadores mais troncudos, que certamente desarmarão os atacantes (caso sejam zagueiros) ou serão dificilmente desarmados (caso sejam atacantes). Foi um aspecto muito bem recebido, já que FIFA já apresentava uma física mais realista nesse aspecto desde edições anteriores. Porém, houve um certo exagero nessa física de jogo, o que torna praticamente impossível um jogador como o Neymar driblar um zagueiro troncudo e violento raçudo como Pepe (zagueiro do Real Madrid). Por outro lado, acaba com os "atacantes invencíveis" das versões anteriores, que dificilmente eram desarmados. Mesmo jogadores com alto overall terão dificuldade em passar pela zaga de qualquer time que seja. 


Além disso, a nova engine de Pro Evolution Soccer 2014 permite um futebol muito mais próximo do real, permitindo jogadas e movimentos muito semelhantes ao dos craques da vida real. Não se assuste quando disparar com Cristiano Ronaldo e perceber que a seu jeito de correr (muito estranho por sinal) é idêntico ao real. Trata-se do Player ID, que já esteve presente no Pro Evolution Soccer 2013 e que busca reproduzir movimentação, características e comemorações idênticas à realidade. Já são mais de 100 jogadores reproduzidos fielmente no game.










O sistema de passes e a jogabilidade em geral foram remodelados por completo, o que a princípio causou estranhamento geral: novo modo de bater escanteio e falta, passar e lançar a bola, cobrar tiro de meta, etc. Tudo, claro, focado principalmente em aumentar o realismo e a interatividade do jogo. Infelizmente, foi algo não muito bem aceito pelos fãs, que repudiaram as mudanças. Por sorte, através das opções do jogo é possível retroceder aos sistemas antigos.
A Konami desenvolveu um sistema inédito nos simuladores de futebol, chamado Heart. Agora, as ações do jogador em campo influenciarão diretamente em seu desempenho no jogo. Ou seja, se o jogador faz um gol, ele fica feliz, e ganha mais precisão nos chutes e dribles. Caso ele erre passes, chutes ou tome um gol (supondo que seja um goleiro), ficará com um desempenho ruim na partida, com péssima precisão e errando muitos passes. Se por um lado é muito interessante, pode acabar atrapalhando bastante nas partidas, principalmente contra a máquina, pois o jogador perde o desempenho à medida que comete erros.












A tradicional Master Liga foi totalmente reformulada, oferecendo aos jogadores um verdadeiro Manager de futebol. O sistema de contratações agora costuma dificultar a transferência de jogadores de grandes clubes para clubes de pequena reputação, por mais que haja o dinheiro necessário para a compra. Agora o jogador poderá mudar de clube a cada ano, podendo também optar por uma renovação de contrato. Toda essa reformulação serviu para mostrar que a Konami realmente está de fato buscando deixar de lado o futebol arcade e finalmente quer criar um simulador de futebol.



Os gráficos do jogo foram alvo de muitas reclamações, pois houveram muitos problemas com serrilhados no estádio e principalmente na face dos jogadores (vista de longe, no formato widescreen). Coisas que dificilmente ocorriam na edição anterior. Porém, em muitos aspectos os gráficos melhoraram e muito: é possível perceber, notavelmente, que a roupa do jogador se mexe enquanto o jogador se movimenta, algo que era bem mais discreto nas edições anteriores. Além disso, os uniformes voltaram a apresentar sujeira, algo que pouco ocorria em edições passadas e que foi mais visto nas versões do game para PlayStation 2.
Houveram também certos problemas com licenciamentos, devido a ganância da EA Sports (produtora de FIFA Soccer, franquia concorrente) que assinou contratos de exclusividade com várias ligas e empresas, impedindo que os estádios espanhóis marcassem presença no jogo. Como foi um contrato assinado bem próximo à data de lançamento, a Konami não teve tempo de fazer os famosos estádios fictícios para substituí-los. Além disso, várias ligas também não marcaram presença devido aos mesmos contratos de exclusividade (caso da Bundesliga, por exemplo). Porém, a Konami já "deu o troco" na EA Sports, conseguindo reforçar os seus contratos de exclusividade com a Liga dos Campeões da UEFA, a Copa Bridgestone Libertadores e o Campeonato Brasileiro (que não marcará presença na edição de 2015 do game FIFA).









Para completar a lista de problemas do game, a transição de engine feita "em cima da hora" não permitiu que fosse desenvolvida as condições climáticas de chuva e neve. Além disso, os donos de placas gráficas integradas como a Intel HD Graphics continuarão sofrendo para jogar o PES, pois o settings.exe do game apenas reconhece a memória dedicada, e não a compartilhada, impossibilitando optar pelos gráficos "Médio" e "Alto". Felizmente, já existe um software chamado File Loader, do mesmo criador do Kitserver (Jenkey1002), que permitirá "forçar" gráficos melhores. 
Fora os problemas, Pro Evolution Soccer 2014 continua sendo um excelente jogo de futebol, e sem dúvidas uma concorrência e tanto para a série FIFA. Inovou bastante em vários aspectos, e tais inovações foram com certeza suficientes para encobrir as "mancadas" da desenvolvedora. Recomendo a compra, pois são várias horas de diversão garantidas.
Para que esses "empecilhos diversos" não mais se repitam em edições futuras, a Konami já está trabalhando no desenvolvimento de Pro Evolution Soccer 2015, e afirma de antemão que trará a Série B do campeonato brasileiro e que vários problemas de jogabilidade e física (e de condições climáticas) serão resolvidos, para oferecer aos jogadores finalmente toda o potencial da Fox Engine.

Veredicto Final: 8,7/10
A Konami fechou com chave de ouro a série na geração atual de consoles (ano que vem já estaremos na próxima geração, com a chegada do PlayStation 4 e do Xbox One), trazendo a poderosa Fox Engine, com todo o seu potencial gráfico e físico; mudando o Menu Principal do game, deixando-o mais limpo e mais compreensível; renovando completamente a Master Liga, um dos modos favoritos de muitos jogadores; inovando com o sistema Heart, que insere no game o fator emocional; buscando licenças de várias ligas, como as inéditas argentina e chilena. 
Porém, a inovação brusca assustou certos jogadores, principalmente pela mudança de foco do Pro Evolution Soccer, que finalmente deixa de ser um jogo arcade. O Modo Online também decepcionou pela falta de mudanças, o que ajudou e muito para um decréscimo na nota. Apesar de todos os defeitos, continua sendo um adversário de peso nessa corrida pelo páreo de melhor simulador de futebol do ano.